terça-feira, 22 de março de 2011

Lembranças

Esses dias eu lembrei,
de seus olhos, de seu brilho,
de como puro era seu olhar.
O quão triste você fitava o mundo,
mas eu me alegrava.
Me veio na mente nós pulando,
correndo entre as flores do meu pensamento,
rolando no chão dando gargalhadas,
lembrei dos sonhos que contruímos
deitados na grama,
observando os cometas passarem.
Lembrei do seu sorriso,
na sorveteria da minha imaginação,
os abraços perfeitos na roda gigante do parque,
estes ainda sinto, sinto o calor.
Sinto saudade de nossas brincadeiras
pelas ruas da madrugada,
viamos tudo colorido, viamos o mundo juntos.
Lembro hoje, que isso tudo, não passou de sonho.
E o que me restou de real, foi saudade.

Queda livre

Amores,
estes passam, se é que vem,
queria eu ser um piloto,
olhar tudo lá do alto, tão tranquilo,
queria eu, lá de cima mergulhar,
fechar os olhos e encotrar-se comigo.
Eu lá de cima serei eu, por mim mesmo,
lá minha solidão seria feliz,
o descompasso das rimas, tudo meu,
a falta do sentido, o todo, eu.
E me aproximaria cada vez mais do chão,
sentiria minha mão segura
e minha vida não mais importaria.

Simulacro

Não, não vejo sentido,
não, não consigo ser assim.
Apenas tenho minha vida como um simulacro,
sinto-me uma mera embalagem inócua.
Todos nós precisamos de um placebo para viver,
eu sei.
Talvez não o tenha, daí a falta de sentido,
mas talvez eu o seja,
minhas oscilações são tão pertinentes,
meus devaneios são tão presentes,
minhas palavras estão exageradas,
porém meus sentimentos são tão etéreos,
inconstante a cada instante,
inconcebível durabilidade,
impossível contabilidade.